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7/16/2009 11:11:29 AM

Hugo Prado Neto competirá seu 3° IronBiker Itália


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Hugo Prado Neto está preparado para o desafio italiano

Mineiro explica as dificuldades e os segredos desta grande competição

Serão mais de 22 mil metros de desnível, mais de 660 km e 8 dias de competições nos Alpes Itálo-franceses, mais precisamente na região de Piemonte na Itália.

A competição de mountain bike considerada a mais difícil do mundo vai largar na cidade de Entraque, no norte do país, e terá a participação de um brasileiro que é forte candidato ao título, HUGO PRADO NETO (OCE/ Specialized/ Empac/ Keico/ Damatta/ BWA).

O desafio contará com atletas de 17 países e HUGO PRADO NETO, que foi 3° colocado em 2006, terá a difícil missão de tentar desbancar um dos maiores ultramaratonistas de MTB do mundo, o checo SIBL RADOSLAV.

Em 2007 HUGO chegou a ficar apenas 15 segundos de RADOSLAV, mas uma queda o tirou da prova, e o checo foi campeão pela 5ª vez.

Confira abaixo entrevista com o brasileiro:

Quando embarca para Itália para disputar o IronBiker?
Embarco dia 22 de julho, e a competição começa dia 25 com um prólogo e termina dia 1° de agosto.

Qual é sua expectativa no evento?
O maior motivo da minha ida é o incentivo e o carinho como sou tratado pelos organizadores da corrida.
Eu fui convidado para tentar bater o checo Sibl Radoslav que é 5 vezes campeão do evento.
Para mim ele é um dos melhores atletas de ultra-maratonas do mundo.
A idéia do pessoal do Iron é que alguém bata ele, e em 2007 cheguei muito perto disso.  
Acontece que o Iron da Itália é uma corrida muito dura, possivelmente a mais dura do mundo.
É uma tarefa complicada vencer a prova, mas com certeza estou indo com o objetivo de vencer.
Sou o único latino-americano a subir no pódio do evento em 14 anos.

Comente sua experiência no Iron Itália e como pode se beneficiar disso neste ano?
Essencial foi ter competido duas vezes por lá.
O Iron da Itália é  como se fosse o Tour de France em vários aspectos.
É uma corrida que como o Tour você tem que se preparar exclusivamente, no mínimo de 6 meses.
São de 8 a 9 horas por dia pedalando lado a lado com estas feras do MTB ultra maratona.
Não é exatamente um passeio de bike pelos Alpes.
É uma corrida de no mínimo 56, 60 horas em 7 dias, ou seja, dois terços do tempo total do Tour de France, e em apenas uma semana, sendo que o Tour são 3 semanas.
Muitos atletas vão ao Iron da Itália e nunca mais querem voltar.

Por quê? 
A corrida além de ter uma absurda demanda física, mentalmente ela te eleva a outro patamar, ou faz você se sentir menor do que uma formiga, tamanha a dimensão de distância, mudanças climáticas, subidas de até 64 km, aonde você tem que se concentrar consigo mesmo para não surtar.
Não tem uma equipe com rádio perguntando o que você precisa.
Existem montanhas nos Alpes durante a prova, que nem o helicóptero da prova consegue ter acesso. 
É você contra você.
E o adversário mais difícil que um ser humano tem é ele mesmo.
Então o Iron Bike te força a ter contato com você mesmo em uma intensidade absurda.
Você é obrigado a enfrentar os seus conflitos internos no meio dos Alpes, a 3 mil metros de altitude.
Conhecer a Itália e a cultura italiana de ciclismo também é muito importante.
Eu sou um fã do Giro d’Italia e os organizadores dos eventos gostam de espetáculo, gostam de ver atletas com garra, então eles dificultam tudo propositalmente.
Saber disso tudo e muito mais, é essencial para o meu sucesso na prova.

Qual será o equipamento que vai utilizar e como será sua estrutura na prova?
Na verdade das três vezes que eu fui, agora talvez esteja com a bike ideal para o Iron Biker Itália.
Aliás, fiz um atleta meu que vai competir comprar uma bike igual a minha porque é a ideal para a prova.
Em 2006 fui com uma Specialized Epic S-Works 06.
Me dei muito bem, mas analisando friamente os checos estavam com bikes mais leves.
Em 2007 tentei andar com uma S-Works HT (hardtail) e me dei muito bem também. 
Mas agora em 2009, o que aconteceu é que os engenheiros da Specialized aliaram o conforto de uma Full, que usei em 2006, com a leveza e a agilidade de uma HT que usei em 2007.
Então tenho agora o melhor dos dois mundos.
Outro detalhe é que em 2007 eu arrisquei tudo para tirar tempo do Sibl em uma descida em uns túneis dentro de um castelo.
Eram mais de 9 mil degraus para descer, e pus pra baixo diminuindo a vantagem dele de 7m para 15 segundos em uma prova de 60 horas.
Não consegui andar no dia seguinte do mesmo jeito, devido ao tombo que levei, mas como sei que descer é um ponto fraco dele, pode ter certeza que a nova Epic S-Works sendo full, vai me ajudar.
A agressividade nas descidas vai ter que existir, se eu realmente quiser ganhar dele.

Como foi sua preparação para o Iron Itália?
Estou focado em volume, está sendo um treino mais mental do que físico.
Acredito que o físico eu já tenho, apenas aumentar e fazer dias seguidos com volume alto pegando montanha.
Mas meu treino está sendo muito mais mental.
Eu subo a montanha e começo e sentir dor ou ficar em pé e falo pra mim mesmo:
- No Iron é 60 vezes pior e se você resolver voltar pra trás demora mais.
Faço uma corrida de XC e penso:
- No Iron vai demorar mil vezes mais pra acabar, a dor vai ser bem maior.
O mental estando lá, não terei problemas com o físico.
Dormir na tenda que simula altitude é também uma prioridade.
Vou dormir nela 4 semanas seguidas a 2.300m de altitude.
Além disso faço treinos longos depois de competições de final de semana aqui no Brasil.


Saiba mais:
>> Hugo Prado Neto é terceiro no Iron Bike Itália - 8/1/2006






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