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| 7/13/2009 2:08:26 PM Tour: Tony Martin, novo astro alemão em ascensão
Quando TONY MARTIN era criança, na Alemanha, costumava acompanhar atentamente pela TV o desempenho de JAN ULLRICH no Tour de France. Como milhões de outros de seus compatriotas, ele não perdia uma transmissão da competição nas quais LANCE ARMSTRONG e ULLRICH muitas vezes se enfrentavam diretamente. A rivalidade entre eles se tornou uma das mais fortes na história recente da disputa. "Eu sempre quis chegar àquele ponto e poder disputar um Tour de France, porque Jan Ullrich era um verdadeiro superastro, e era também o meu ciclista favorito", disse MARTIN nesta semana na França. "Mas quando surgiu a revelação de que na verdade ele havia trapaceado durante todo aquele tempo, e percebi que grande número de ciclistas usavam doping, fiquei muito decepcionado. Aquilo tudo fez com que eu questionasse se esse esporte era realmente algo de que eu desejava participar". MARTIN agora com 24 anos, decidiu persistir no ciclismo apesar dos escândalos, e se manteve fiel a essa decisão. Até agora, a escolha parece ter sido muito favorável a ele. Disputando seu primeiro Tour de France, em sua segunda temporada como integrante da equipe Columbia-HTC, MARTIN ocupava a liderança da Juventude, vestindo a Camisa Branca para ciclistas até 25 anos. O alemão é ainda o 7° colocado na classificação geral, após a disputa da 9ª etapa da competição. Entre os líderes da prova, ele era o ciclista mais jovem, e possivelmente aquele a quem foi atribuída a mais difícil das tarefas: ULLRICH, seu heroi e campeão do Tour de France em 1997, se aposentou do ciclismo em 2007, depois de ver seu nome vinculado a uma quadrilha que promovia o uso de doping via transfusões sanguíneas, na Espanha. Na última semana, as autoridades esportivas da Suíça notificaram que haviam iniciado procedimentos disciplinares contra ULLRICH, que vive no país e competia com uma licença de ciclismo suíça, por violações de seu código de ética relacionadas ao uso de doping e ao caso espanhol. "A popularidade do ciclismo na Alemanha não tinha nenhuma base histórica. Ela estava vinculada à popularidade de apenas um ciclista: JAN ULLRICH", disse ROLF ALDAG, um alemão que trabalha como diretor da equipe Columbia e foi ciclista profissional no passado. “Quando ele se viu apanhado em um escândalo de doping, na companhia de um grande número de outros ciclistas, o povo alemão realmente se distanciou do esporte. Mas minha esperança é a de que Tony possa ajudar a reconstruir a reputação do ciclismo alemão”, disse o dirigente. Em maio de 2007, ALDAG e outro ex-ciclista profissional alemão, o velocista ERIK ZABEL, admitiram ter usado o EPO, um agente que eleva o teor de oxigênio no sangue, na metade dos anos 90, quando corriam pela antiga equipe Deutsche Telekom. Em seguida, em julho do mesmo ano, o ciclista alemão PATRIK SINKEWITZ foi apanhado em um teste antidoping que constatou nível inaceitável de testosterona, em uma das etapas do Tour de France. Na Alemanha, a reação a essa sucessão de escândalos de doping foi tangível. A ARD, uma rede de televisão estatal alemã, cancelou sua cobertura da prova. Posteriormente, SINKEWITZ admitiu o uso de medicamentos para melhora de seu desempenho atlético, entre os quais o EPO. Ainda que a ARD tenha retomado a transmissão do Tour de France em 2007, decidiu uma vez mais restringir sua cobertura quando novos casos de doping surgiram no mundo do ciclismo, no ano passado. O austríaco BERNARD KOHL, que terminou o Tour em terceiro lugar, no ano passado, correndo pela equipe alemã Gerolsteiner, foi apanhado em um exame antidoping pelo uso do CERA, outro agente de oxigenação sanguínea, e depois disso abandonou o esporte. O ciclista alemão STEFAN SCHUMACHER também foi apanhado usando CERA em um exame antidoping durante a Olimpíada de Pequim, em 2008. Este ano, a ARD decidiu que exibiria ao vivo para os alemães apenas os 30 minutos finais das etapas do Tour de France. "Existe sempre a esperança de que esses atletas sejam capazes de correr sem doping, mas muita gente está cética a respeito", disse MICHAEL OSTERMANN, repórter no site da ARD que este ano está cobrindo seu sexto Tour de France. "Fomos alvos de mentiras demais por ciclistas alemães que declararam que estavam correndo sem recorrer a qualquer trapaça. Assim, por que deveríamos acreditar naquilo que um ciclista tenha a dizer, agora? É essa a maneira pela qual muitas pessoas estão raciocinando, neste momento". Há 15 ciclistas alemães envolvidos na disputa deste ano, entre os quais ANDREAS KLÖDEN, da equipe Astana, mas MARTIN é o mais novo dos grandes nomes do esporte, em seu país. Ele afirma compreender que representa não só o futuro do ciclismo na Alemanha mas também o futuro do ciclismo como um esporte limpo. Os pais do atleta estavam preocupados com a sua decisão de continuar praticando o ciclismo, depois da onda de admissões de doping e de escândalos no esporte, alguns anos atrás. Mas MARTIN os convenceu a permitir que continuasse praticando o ciclismo. "Para mim, vem sendo uma excelente experiência, em um momento como o atual, ver jovens ciclistas como eu ascendendo e prometendo defender um ciclismo limpo", diz MARTIN. "É isso que as pessoas desejam ver no esporte, e essa atitude faz com que seja uma verdadeira alegria para mim qualquer sucesso que eu venha a conquistar aqui". Mas ainda restam dúvidas quanto à possibilidade de doping pendendo sobre ao menos um dos ciclistas alemães que estão participando da Volta da França: SINKEWITZ, que foi companheiro de KLÖDEN na extinta equipe T-Mobile, alegou que o colega fazia uso sistemático de doping como toda a equipe. Dois médicos da Clínica da Universidade de Freiburg, que trabalharam para a equipe no passado, disseram que todos os ciclistas que a integravam usavam medicamentos para melhorar seu desempenho atlético, no período entre 1995 e 2006, época em que tanto KLÖDEN quanto SINKEWITZ fizeram parte do elenco da T-Mobile. KLÖDEN, que jamais foi apanhado usando substâncias proibidas em um exame antidoping, conquistou três vice-campeonatos consecutivos no Tour de France, entre 2004 e 2006, e continua a negar que tenha usado doping em qualquer momento de sua carreira. KLÖDEN se recusa a comentar sobre o assunto, afirmou PHILIPPE MAERTENS, porta-voz da equipe Astana. "Ele está cansado de jornalistas alemães que continuam a persegui-lo onde quer que esteja para tentar levá-lo a falar sobre doping", disse MAERTENS. "Terminou por assumir a posição de que deseja apenas competir em sua bicicleta, porque não tem nada a esconder. Nossa equipe conduziu investigações sobre ele e constatamos que está limpo, super limpo". JOHAN BRUYNEEL, diretor da equipe Astana, disse que as acusações com relação a KLÖDEN jamais lhe causaram dúvidas sobre o atleta. "Ele ajuda muito a nossa equipe", disse BRUYNEEL. Para TONY MARTIN, a inocência ou culpa de KLÖDEN não importa muito, mas o fato de que o colega tenha escolhido se manter afastado da imprensa, suscitou novas dúvidas sobre a questão do doping entre os ciclistas alemães. "Os jornalistas não sabem que opinião devem ter a respeito dele", diz MARTIN. "Espero que esteja limpo, mas não se pode ter certeza de que qualquer dos nossos ciclistas está limpo, excetuados eu e meus colegas de equipe. Meu objetivo é fazer parte de uma nova espécie de ciclismo, um ciclismo limpo, e acredito que os resultados disso tenham sido bastante favoráveis para mim até agora". Fonte: Terra | ||||||||||||
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